A mulher de Barcelos - terra Natal do pai!
Li há poucos dias uma frase de Camilo Castelo Branco que dizia que “as moças de Barcelos levavam de vencida as lindas mulheres das redondezas no rosado da face, na robusta elegância do corpo e na viçosa alegria”. E não consigo refletir nestas palavras apenas como uma descrição de beleza. Acredito que Camilo não falava só do que era belo à época. Falava, sobretudo, de valores. De sinais visíveis de uma forma de estar na vida. Porque, afinal, de que valia a beleza da mulher, neste caso, se não viesse acompanhada de caráter, presença e humanidade?
O rosado da face não tinha nada a ver com maquilhagem — muito menos com filtros, como hoje se vê. Era saúde, vitalidade, presença. Era o reflexo de quem trabalhava a terra, caminhava, ria, chorava, vivia. O rosado, como dizia a minha mãe: esta pessoa está viva, ligada ao mundo, não anda anestesiada. Hoje, talvez o rosado tenha outra forma. Energia. Olhar aceso. Capacidade de estar inteiro onde está, sem cinismo nem apatia.
E deixo-lhe um desafio simples: olhe à sua volta. Quantas pessoas vê com currículos brilhantes… e rostos apagados?
A robusta elegância do corpo também não tinha nada a ver com os padrões estéticos atuais. Robustez era força. Resistência. Capacidade de aguentar o peso dos dias difíceis. Elegância era postura, dignidade, respeito por si e pelos outros. Esse respeito por si foi algo que sempre incentivei na minha sobrinha — que nunca o perdesse! Era uma robustez que não gritava, mas sustentava.
E aqui deixo outro desafio: na sua empresa, quem são - mulheres ou homens — que não quebram à primeira pressão, que sabem discordar sem destruir, que mantêm coluna vertebral mesmo quando o contexto aperta?
E depois havia a viçosa alegria. Esta é, assumidamente, uma dimensão com a qual me identifico e que muitas vezes ouvi associada a mim. Não uma alegria ingénua, mas a alegria de quem encontra sentido no que faz, de quem pertence, de quem participa. Uma alegria que funciona como motor social e como cola comunitária. Hoje, muitas organizações dizem querer “pessoas motivadas”, mas constroem sistemas que matam qualquer alegria possível: processos pesados, lideranças ausentes, culturas de medo. E depois perguntam-se porque ninguém sorri.
E hoje, será que estes valores se mantêm? Talvez não com o mesmo nome, mas continuam profundamente atuais. Continuamos a precisar de pessoas com vitalidade (rosadas), com resiliência e caráter (robustas) e com entusiasmo genuíno (alegres).
E deixo a última pergunta: nas nossas empresas, estamos realmente a recrutar mulheres e homens rosados, robustos e alegres? Ou estamos apenas a contratar competências técnicas e a esperar que o resto apareça por milagre?
Talento técnico aprende-se. Saúde emocional, força interior e alegria sustentável constroem-se… ou destroem-se. Muitas vezes, dentro da própria organização.
Talvez Camilo, sem falar de gestão ou liderança, tenha deixado uma das descrições mais atuais do que realmente faz alguém valer a pena — na vida e no trabalho.
PS: Um bom dia de trabalho. E se só agora percebeu que o que falta são pessoas rosadas, robustas e alegres… entre em contacto. Milagres não fazemos, mas uma boa conversa pode gerar ideias práticas, simples e transformadoras.