Há uma frase que o Brad Sugars tem repetido ao longo deste ano e que confesso demorei a compreender… "Standards come before skills." Ou seja: "Os standards vêm antes das competências."
É uma frase simples, bem sei. Demorei a compreender porque, na realidade, não foi imediata a percepção do impacto.
Sei que o que ouço com frequência é: "Precisamos de mais formação." "Esta pessoa não tem o nível que eu esperava." "Vamos investir em cursos."
Sei também que quando não há standards:
- Cada pessoa faz à sua maneira.
- A qualidade varia de colaborador para colaborador.
- Os clientes têm experiências diferentes consoante quem os atende.
- O gestor passa o dia a apagar fogos e a corrigir erros que nunca deveriam ter acontecido.
Em oposto quando existem:
- As expectativas são claras, para todos.
- O desempenho torna-se mensurável — já não é opinião, é facto.
- A formação torna-se muito mais simples, porque há um alvo definido.
- As competências desenvolvem-se mais depressa, porque toda a gente sabe para onde está a correr.
E este é o ponto que acredito tem sido ignorado: as competências podem ser ensinadas. Há cursos, formações, mentorias — e nós também as temos! Mas depois há os standards, que não se ensinam. Definem-se, clarificam-se, informam-se! E ao compreender esta questão fez-se luz...
Daí que a pergunta que deixo para reflexão não é se a sua equipa tem as competências certas e sim: "A minha equipa sabe exatamente qual é o standard esperado em cada uma das tarefas críticas do negócio?"
Se a resposta for "não", o problema dificilmente se resolve com mais formação. Porque não se pode treinar alguém para atingir um nível que nunca foi definido. É quase como pedir a alguém que acerte um alvo que ninguém definiu qual é!
Diria mais... se eu tivesse de reduzir este princípio a uma linha, seria esta: As competências fazem crescer as pessoas. Os standards fazem crescer as empresas!
Finalizando... estamos a meio do ano — o momento certo para parar e perguntar: onde é que estamos a investir energia? Em mais formação, ou em standards que ainda não existem?
E a minha sugestão é simples: que a segunda metade deste ano não seja sobre "ensinar mais", mas sobre "definir melhor". Documentar o que já funciona. Tornar visível o que hoje só está na cabeça de quem faz bem. Criar o standard antes de pedir a competência!
Porque uma equipa sem standards, por mais talentosa que seja, está sempre a jogar um jogo sem regras escritas. E uma equipa com standards claros cresce — mesmo com as competências que já tem hoje!...