Vivemos numa era que frequentemente rotula as novas gerações como "desconectadas" e "desprovidas de valores antigos". Ouço também, e talvez eu mesma o tenha pensado, que os jovens já não valorizam os ensinamentos da família. No entanto, quem observou com atenção o fenómeno - e deixem-me que lhe chame fenómeno - que paralisou o coração de Madrid na recente visita do Papa Leão XIV percebe que a realidade é muito mais profunda — e infinitamente mais esperançosa!
Ver àquela imensa moldura humana — onde 500 mil jovens se reuniram, não por obrigação, mas por… não sei se magnetismo — é testemunhar um verdadeiro fenómeno no sentido mais puro da palavra!
Independentemente das crenças individuais de cada um, ver aquela praça inundada por uma juventude em busca, acredito eu, de respostas é algo que não pode deixar ninguém indiferente. Pergunto-me o que move estes jovens? Numa sociedade hiperdigitalizada, onde o efémero dita as regras e os ecrãs competem constantemente pela atenção… mas também parece haver um cansaço generalizado do vazio. Acredito que o que vimos foi uma busca por um propósito, a vontade genuína de construir algo duradouro e, curiosamente, o regresso ao que chamaria de tradicional que surge não como um retrocesso, mas como uma âncora necessária!
Ao desafiar a juventude a ser a "faísca de uma nova humanidade", a mensagem social e espiritual de Leão XIV ecoa (ecoou!) como um manifesto de estabilidade.
O que mais impressionou não foi o número de jovens, e sim a atitude daquela multidão. E quando o Papa dizia - não tenhais medo do casamento, de construir família - a energia espontânea e genuína, que nenhum guião poderia fabricar! Ao olhar para aqueles rostos eu vi sorrisos que não foram ensaiados para uma rede social. Testemunhei uma escuta ativa e, acima de tudo, um silêncio partilhado por centenas de milhares de jovens no momento da vigília — diria que um respeito interior que já quase não se encontra no nosso dia a dia.
Vi uma serenidade desconcertante! É como se, na caminhada cansativa que é a juventude atual, tivessem encontrado ali um porto seguro. Aquela postura silenciosa parecia gritar - "Nós queremos fazer parte de algo maior."
Quão Esperançoso é Este Mundo!
Eventos com esta dimensão servem para nos desarmar do cinismo contemporâneo. Mostram-nos que a juventude não está perdida; está, sim, a redefinir onde deposita a sua atenção, a sua energia e o seu coração.
Quando meio milhão de jovens se une em Madrid para ouvir, silenciar e interiorizar mensagens de transcendência e compromisso com o próximo, o futuro deixa de parecer uma incerteza assustadora e passa a ser uma promessa. Este vislumbre de união e esperança é o combustível que me garante (que nos garante!) que, contra todas as expectativas, o mundo tem motivos de sobra para acreditar no amanhã.
E quão feliz sou por acreditar no amanhã!