Durante muito tempo, disse que quando tivesse uma casa com terreno então queria ter um cão. Gostava da ideia… da ideia da companhia, da ideia dos passeios na praia, da ideia do tal amigo que é fiel, da ideia de atirar o pau e ele correr para ir buscar… enfim, esta ideia romantizada que creio muitos também terão!
Confesso que o nunca questionei foi: quem eu teria de me tornar para ser dona de um cão!
O Gaspar chegou faz hoje 1 ano, precisamente no Dia de Reis. Dai o nome… Um beagle (como o snoopy!) com pouco mais de 2 meses, cheio de energia, teimosia e personalidade própria. E rapidamente percebi que querer não é o mesmo que estar preparada!
Os primeiros meses foram difíceis. Acreditem. Ensinar um cão a fazer o seu xixi no local certo foi um desafio! Não foi só o cansaço, frustração e vários momentos de dúvida, também a tristeza por pensar que talvez não fosse para mim. Acontece que devolver nunca foi opção! Se o desafio estava ali, a solução também teria de estar!
Percebi que o problema não era o Gaspar. Nem a raça, nem a idade (meses neste caso). Era a expectativa com que eu tinha entrado naquela relação. Eu queria ter um cão, não tinha era ajustado a minha identidade a essa escolha.
Quando fiz esse clique, tudo mudou. Ser dona de um cão exigiu (ainda exige):
- Mais Estrutura: rotinas e processos claros.
- Mais Presença: liderança ativa e não apenas reação.
- Mais Consistência: coerência diária em vez de tentativas pontuais de controlo.
Exigia que eu deixasse de reagir e começasse a liderar. O Gaspar ensinou-me que a teimosia muitas vezes não é resistência — é falta de direção. Que sem regras claras (o que nos negócios chamamos de sistemas e processos) não há segurança.
E esta aprendizagem não ficou no passeio da manhã com o Gaspar. No mundo do negócios eu vejo isto todos os dias. Quantas vezes dizemos que queremos crescer o negócio, adicionar zeros à faturação ou liderar uma equipa de alta performance, sem refletir sobre quem precisamos de nos tornar para sustentar essa decisão?
Queremos resultados novos mantendo a mesma identidade de quando faturavam dez vezes menos. Chamamos "dificuldade" ao que é, na verdade, um desalinhamento com, essencialmente, 3 pilares:
- Missão e Valores: a bússola que dá direção à "teimosia" da equipa.
- Liderança: a capacidade de inspirar e dar clareza, em vez de apenas mandar.
- Execução: a disciplina de manter a coerência diária através de planos de 90 dias.
Um ano depois...
Bom, hoje, o Gaspar continua teimoso! Eu estou diferente. Na maior parte das vezes rio-me das suas teimosias. Também sou mais consciente, mais paciente e mais alinhada com o papel que escolhi assumir! Isto… o papel de ser dona de um cão fui eu que escolhi!
Quando ajustamos a nossa identidade à nossa decisão de crescer, o processo deixa de ser um fardo e passa a ser uma experiência de crescimento real. Para o líder, para a equipa e para o negócio.
Hoje sou mais feliz porque estou aprender a ser dona de um cão. O Gaspar também acredito seja! Ah... e em 3 meses aprendeu a fazer o tal xixi no sitio certo!
E vocês, quem precisam SER para alcançar o que DESEJAM no negócio em 2026?