Há dias ouvi uma frase de Christine Lagarde, enquadrada no Fórum anual do Banco Central Europeu, recentemente em Sintra e cujo tema dizia:
This year we’re talking about shaping Europe’s future and the role of innovation, growth and stability (Este ano vamos falar sobre moldar o futuro da Europa e o papel da inovação, do crescimento e da estabilidade!)
Ouvi três palavras e três prioridades.... e pensei ora aqui está um excelente tema para qualquer empresário! E à medida que fui digerindo o tema para poder escrever algo comecei a perceber que a maioria das empresas encara estes conceitos como se fosse necessário escolher... quase que por impossibilidade ou dificuldade em coexistirem!
Ou inovamos. Ou crescemos. Ou consolidamos o negócio...
A meu ver a realidade é outra. Tal como uma árvore, uma empresa só cresce de forma sustentável quando existe equilíbrio entre aquilo que todos veem... e aquilo que quase ninguém vê. Todos admiram a copa da árvore. É nela que estão os frutos, as folhas e o crescimento. Mas como sabemos o verdadeiro segredo está debaixo da terra. Nas raízes pois são elas que dão estabilidade para suportar o vento, alimentam cada novo ramo, permitem continuar a crescer...
Nas empresas acontece exatamente o mesmo. A inovação representa os novos produtos, os novos serviços, as novas ideias e a capacidade de responder a um mercado em constante mudança. O crescimento traduz essas ideias em resultados, clientes, faturação e impacto.
Acontece que nada disso se sustenta sem estabilidade. E estabilidade não significa ficar parado. Significa ter processos claros, sistemas robustos, equipas alinhadas, uma cultura forte e uma liderança consistente. E o que eu reparo é que infelizmente, algumas empresas confundem estabilidade com ficar parado, fazer como sempre fizeram, ficar na zona de conforto, ficar no mercado que conhecem...
"Agora não é altura para mudar." "Sempre fizemos assim." "Não queremos correr riscos."
E enquanto isso, o mercado continua a evoluir. E a empresa que deixa de inovar não está estável. Está apenas a perder relevância lentamente.
Por outro lado, também existem empresas que vivem numa inovação permanente. Mudam de estratégia todos os meses. Lançam novas iniciativas constantemente. Experimentam tudo. Mas nunca consolidam nada.
Sem raízes fortes, qualquer tempestade pode deitar abaixo a árvore. E o verdadeiro papel da liderança é garantir que estas três dimensões coexistem... ou seja:
- A inovação cria o futuro.
- O crescimento transforma o potencial em resultados.
- A estabilidade garante que esses resultados podem ser repetidos ano após ano.
As raízes não impedem a árvore de crescer. São precisamente elas que tornam o crescimento possível. E nas empresas acontece exatamente o mesmo.
Então a pergunta que deixo é simples:
As raízes da sua empresa — os seus sistemas, processos, equipa e liderança — são suficientemente fortes para suportar o crescimento que deseja alcançar?
Comente comigo... quem sabe não poderá ser esse o seu foco agora que iniciou a segunda metade do ano!